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O projeto “Fragmentos de um Povo” começou com um convite que recebi do publicitário e jornalista Fred Sales, proprietário da agência Ah,lá Comunicação de Brasília, em junho de 2011 para acompanhar como fotógrafo uma equipe que produzia o documentário “UniãoBrasil” para a União Europeia. O objetivo do trabalho foi registrar e gravar depoimentos de integrantes de comunidades e de alguns projetos assistenciais que a União Europeia apoia.

Passei por seis estados, incluindo o de São Paulo, onde pude conhecer pessoas e lugares muitas vezes esquecidos pelo Poder Público. Entre eles, o edifício de ocupação Prestes Maia, no centro de São Paulo, a comunidade Nova Aliança e o Complexo do Alemão, ambos no Rio de Janeiro. Nesse último local, três homens armados levaram minha câmera com todas as fotos que havia feito na comunidade. Passado o susto, segui para a Bahia. Em Salvador, visitei a favela Canabrava, onde a maioria dos moradores são catadores de materiais recicláveis já há algumas gerações.

Continuando a viagem, passei pelo Ceará. Visitei centros precários de apoio a deficientes físicos em Fortaleza e, num deles, conheci Maria da Penha, mulher cujo nome deu origem à lei em favor das vítimas de violência doméstica.
Percorri o Sertão de Pernambuco, indo até Petrolina e pequenas cidades, como Santa Filomena, Cabrobró, Salgueiro, além de comunidades distantes como a quilombola Conceição das Crioulas. Naquela área foi possível fazer uma reflexão sobre as diferenças culturais e a ausência do Estado.

Chegando em Teresina, no Piauí, subi de carro com a equipe pelo Estado. Passamos pela região dos Cocais, até chegarmos no pequeno litoral piauiense. O Estado mostrou-se incrível, cheio de riquezas nativas mal exploradas, ou monopolizadas pelo sistema coronelista que ainda existe.

Foi um pouco mais de um mês viajando e, ao retornar ao meu apartamento em São José do Rio Preto, fiquei com a sensação de dever não cumprido e passei alguns dias refletindo sobre aquilo que tinha vivido e presenciado. Deixei as fotos à disposição do documentário audiovisual para a União Europeia e, devido à riqueza do material, resolvi dar continuidade ao trabalho fotográfico, e criei o projeto “Fragmentos de um Povo”.

OBJETIVO
O projeto “Fragmentos de um Povo” tem o objetivo de tornar visível um problema que está enraizado dentro do quadro social fragmentado de uma população excluída, que agoniza diariamente diante da ineficácia do Poder Público e das classes dominantes.
Em uma sociedade imagética, uma imagem realmente fala mais do que mil palavras. Ela pode abrir caminhos e sensibilizar aqueles que ignoram os fatos a mudarem hábitos e atitudes comportamentais. Esse trabalho tem a pretensão de tocar não só as pessoas que estão longe do poder centralizado, mas também toda a classe política.
Ele compõe um panorama da vida daqueles que vivem estagnados, à margem de uma sociedade em pleno desenvolvimento equivocado.Vivemos em uma época na história onde a principal mudança que devemos ter em mente é a do fator comportamental de cada indivíduo. Devemos cobrar a mudança de hábitos dos nosso políticos. Porém, se o indivíduo não muda, também não mudam os seus governantes.
A IMPORTÂNCIA DA
FOTOGRAFIA DOCUMENTAL
O homem busca o registro daquilo que vê desde os tempos mais remotos, onde expressava o que acreditava ser importante nas paredes das cavernas com suas gravuras rupestres.
Em um dado momento na evolução humana, já não bastava o registro puro e simples de sua realidade. Era preciso sentir, e eis que surgiram os primeiros conceitos estéticos com o aprimoramento da técnica do desenho, revelando a harmonia e constituindo o belo, que hoje temos como arte.
O tempo refere-se ao movimento das coisas e nunca é estático, e esse fator causa uma inquietude na mente das pessoas, pois tudo é passageiro na vida e as memórias nem sempre se fazem presentes como um objeto à frente dos nossos olhos.
Pensadores e artistas, na inquietude por entre séculos, na ânsia de criarem simulacros perfeitos da realidade, a fim de aprimorarem suas faculdades, inventaram a câmara escura, que junto com os materiais fotossensíveis futuramente seriam os pilares fundamentais da fotografia.
Sua descoberta foi decorrente da busca consciente ou inconsciente pela perfeição, inerente ao ser humano, transformando essa arte em um dos métodos mais precisos de documentação, expressão de conhecimento estético e manifestação de idéias.
E hoje a fotografia transcende a barreira da linguagem, aumenta significativamente nossa compreensão do mundo e agrega à vida cotidiana uma percepção mais aguçada da realidade da qual fazemos parte.
Herick Mem
De José Vitor Barbosa - Ilha Solteira - SP - 28/01/2012 01:46
Posso utilizar uma das fotos para estampar em uma camiseta? Em baixo da foto colocarei a frase "Estás discontente, vote diferente"
De Romualdo Silva - Rio Preto - 24/01/2012 04:22
Finalmente uma exposição de peso em Rio Preto. Parabéns!
De Miler Clewston De Marchi - São Jose do Rio Preto-SP - 15/01/2012 06:35
Herick Mem, mais uma vez lhe parabenizo pelo trabalho. Fui no coquetel da Exposição e apreciei de perto essas fotos. Um trabalho muito bem feito. Foi uma pena ter perdido as fotos do R.J. Forte abraço...
De wilian tadeu ambrozio - sp-sp - 25/10/2011 07:55
Bela fotografia!
De Fernando Martins - SJRPreto/SP - 10/10/2011 12:19
Muito bacana esse trabalho! Parabéns!
De Luciana - Rio Preto - 28/09/2011 03:07
Pirei nesse seu trabalho! Parabéns!
De Karina Rocha - SJRP/SP - 09/09/2011 11:10
Parabéns Herick, lindo trabalho :)
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